Bitcoin cai a US$ 65 mil e atinge menor valor desde outubro de 2024, apesar de incentivos de Trump

O preço do bitcoin recuou nesta quinta-feira (6) para US$ 65 mil, o equivalente a cerca de R$ 342 mil. Trata-se do menor patamar em 15 meses, nível não registrado desde outubro de 2024. Desde o início de 2026, a moeda digital já acumula desvalorização de 24% e, em 12 meses, a queda chega a 32%.

De recorde histórico à forte correção

A nova mínima ocorre depois de uma sequência de altas que levaram o bitcoin a marcar recorde de US$ 122 mil em outubro do ano passado. O movimento de alta foi impulsionado, em parte, pelo apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao setor de criptomoedas.

Entre as ações adotadas pelo republicano, estão uma ordem executiva publicada em janeiro de 2025 para tornar o país a “capital mundial das criptomoedas”, o lançamento de sua própria criptomoeda — cujos lucros são direcionados a suas empresas — e a participação na World Liberty Financial, veículo da família Trump voltado a ativos digitais.

Além disso, o governo sancionou uma lei federal de apoio às criptomoedas, dissolveu uma equipe do Departamento de Justiça dedicada à fiscalização do setor e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) suspendeu investigações em andamento. Senadores democratas contestaram a agenda pró-cripto do presidente, destacando que Trump soma mais de US$ 11 bilhões em participações no mercado e obteve ganhos pessoais de US$ 800 milhões em operações desde que voltou ao cargo.

Análise do mercado

Em relatório divulgado na quarta-feira (5), o Deutsche Bank atribuiu o gatilho da queda à nomeação de Kevin Warsh como novo presidente do Fed. A expectativa de que Warsh adote postura mais agressiva e mantenha juros elevados pressionou o apetite por ativos de maior risco, como criptomoedas.

O banco alemão observou que o bitcoin já vinha registrando quatro meses consecutivos de recuo e apontou “sentimento negativo crescente” no segmento. “Essa venda constante indica perda de interesse dos investidores tradicionais e aumento do pessimismo em relação às criptomoedas”, diz a nota.

Apesar de não prever o fim das moedas digitais, o Deutsche Bank avalia que o bitcoin está deixando de ser um “ativo puramente especulativo” para buscar um espaço mais definido no mercado financeiro.

Projeções e outros criptoativos

A consultoria Stifel alertou clientes para a possibilidade de a cotação recuar até US$ 38 mil, citando a recente correlação entre bitcoin e a oscilação do dólar. Na última semana, a moeda norte-americana atingiu o menor valor em quatro anos.

William Barhydt, presidente-executivo da Abra Capital Management, vê maturação do mercado e acredita que os preços tendem a se recuperar, a menos que “um grande conflito” interfira no cenário.

Entre outras criptomoedas populares, ethereum e solana acumulam queda próxima de 37% em 2026. Segundo dados da CoinGecko, o valor de mercado cripto encolheu mais de US$ 1 trilhão no último mês e US$ 2 trilhões desde o pico de outubro.

No momento, o bitcoin permanece como a maior e mais conhecida criptomoeda do mundo — um tipo de dinheiro totalmente digital, sem controle de autoridade central —, mas enfrenta um período de forte ajuste de preço e de expectativas.

Com informações de G1

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