Gastos para levar um bloco às ruas de São Paulo variam de R$ 5 mil a mais de R$ 700 mil

Promover um bloco de rua no carnaval paulistano pode exigir investimentos que vão de R$ 5 mil, em desfiles comunitários, até cifras superiores a R$ 700 mil nos cortejos que reúnem multidões. Os valores, levantados junto a organizadores e ao Fórum de Blocos do Carnaval de Rua, refletem o porte dos grupos, o público estimado e a infraestrutura necessária para garantir segurança, som e serviços ao folião.

Diversidade que pesa no bolso

“São muitos carnavais acontecendo ao mesmo tempo”, afirma Zé Cury, coordenador do Fórum de Blocos. Segundo ele, quando um grupo cresce, surgem despesas adicionais com isolamento, banheiros, ambulâncias, caminhões de som e equipes de segurança.

Em 2026, 630 blocos receberam autorização para desfilar na capital. A prefeitura, sob gestão Ricardo Nunes (MDB), reservou R$ 30,2 milhões para estrutura e organização, R$ 12 milhões a menos que em 2025, quando o investimento somou R$ 42,5 milhões, parte custeada por R$ 27,8 milhões de patrocínio da Ambev.

Cinco perfis de blocos e seus custos

Blocos na quebrada

Faixa de gasto: R$ 5 mil a R$ 25 mil
Criados em bairros das zonas Norte, Leste e Sul, desfilam para até 2 000 pessoas. Contam com paredões de som ou caminhonetes emprestadas. Mesmo assim, há despesas mínimas com cordas de isolamento, água para a bateria e, às vezes, ambulância.

Blocos da classe média

Faixa de gasto: R$ 15 mil a R$ 40 mil
Formados por moradores que ocupam ruas dos próprios bairros há cerca de 10 anos. Público entre 3 000 e 10 000 foliões. Gastos incluem caminhão de som, cachês de músicos, técnicos e alimentação. O Bloco do Paulicéia, na Parada Inglesa, por exemplo, desembolsa em torno de R$ 20 mil para sair neste domingo (8).

Blocos urbanos e empreendedores

Faixa de gasto: R$ 25 mil a R$ 70 mil
Criados por jovens que homenageiam artistas ou ritmos. Podem começar com 10 000 pessoas e terminar com 40 000. O Fuá, que desfila no Bixiga em 15 de fevereiro, calcula custo anual de R$ 50 mil, sobretudo com aluguel do trio elétrico. Para reduzir despesas, alguns dividem o caminhão com outros grupos.

Blocos ritualísticos

Gasto variável
Ligados a tradições culturais ou projetos sociais, mantêm atividades o ano inteiro. O orçamento contempla oficinas de música e geração de renda, além de caminhão robusto, equipe de produção e isolamento quando o público ultrapassa 10 000 participantes.

Blocos de grande porte

Faixa de gasto: R$ 250 mil a R$ 700 mil ou mais
Atraem dezenas ou centenas de milhares de foliões e contam com artistas conhecidos. A estrutura envolve dois ou três trios interligados, equipes de segurança, ambulâncias próprias e produção que chega a 70 pessoas. O Baixo Augusta ultrapassa R$ 700 mil por desfile. Já o Tarado Ni Você, que leva mais de 100 000 pessoas ao Centro, opera com planilha de aproximadamente R$ 400 mil, segundo o fundador Rodrigo Guima.

Regras de segurança encarecem o desfile

Planos contra incêndio, brigadas, documentos técnicos dos veículos e cercamento tornaram-se obrigatórios. “Quanto mais serviço se entrega, maior o valor”, resume Zé Cury.

O carnaval de rua paulistano, portanto, acompanha a diversidade da cidade: dos pequenos blocos que se mantêm com vaquinhas informais aos megadesfiles sustentados por patrocinadores e produção profissional.

Com informações de G1

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