Os Estados Unidos solicitaram nesta sexta-feira (6) a abertura de negociações para um acordo nuclear que inclua Rússia e China, durante sessão da Conferência de Desarmamento na sede das Nações Unidas, em Genebra. O subsecretário norte-americano para controle de armas, Thomas DiNanno, afirmou que um tratado bilateral “já não atende às necessidades de 2026” e defendeu um arranjo multilateral.
Pequim rechaçou a proposta. O representante chinês na reunião declarou que o país mantém arsenal consideravelmente menor que o de Washington e Moscou e, portanto, não vê razão para aderir a novos limites. A posição segue a linha de negativas anteriores do governo chinês.
Já o embaixador Vassily Nebenzia, que chefia a delegação russa na ONU, condicionou qualquer negociação à participação de Reino Unido e França, aliados dos EUA que também possuem armas nucleares. Moscou e Pequim vêm estreitando laços diplomáticos e militares nos últimos anos.
DiNanno classificou o New START como “falho” e ultrapassado. O acordo, último instrumento de controle de ogivas entre EUA e Rússia, expirou nesta semana. Segundo ele, violações atribuídas a Moscou e a expansão do arsenal chinês — estimado em pelo menos 600 ogivas pelo Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) em levantamento de janeiro de 2025 — exigem uma “nova arquitetura de segurança”. EUA e Rússia detêm mais de 5.000 ogivas cada.
O subsecretário norte-americano também acusou a China de realizar testes nucleares “sem transparência” e ampliar seu estoque “sem qualquer limitação”. Pequim não respondeu publicamente às denúncias durante a sessão.
Na véspera da conferência, o ex-presidente Donald Trump criticou o New START em sua rede Truth Social e sugeriu um “tratado aprimorado e modernizado”. Ele afirmou ter evitado conflitos nucleares durante seu mandato, mas defendeu que especialistas redijam um novo pacto de longo prazo.
Imagem: que cenário deve mudar
O site Axios noticiou que Estados Unidos e Rússia conversam nos bastidores sobre eventual prorrogação do New START. Três autoridades norte-americanas ouvidas pela publicação disseram que houve avanços, porém sem consenso. Uma fonte da Casa Branca, citada pela TV Globo, indicou que futuras tratativas devem incluir a China.
Assinado em 2010 por Dmitri Medvedev e Barack Obama, o New START entrou em vigor em 2011 e foi estendido em 2021 por cinco anos após a posse de Joe Biden. O tratado limitava cada parte a 1.550 ogivas estratégicas e 700 mísseis ou bombardeiros de longo alcance, além de permitir até 18 inspeções anuais. As visitas foram suspensas em março de 2020 devido à pandemia de Covid-19, e a retomada prevista para novembro de 2022, no Egito, não ocorreu por decisão russa.
Com o vencimento do acordo, analistas alertam para o risco de uma nova corrida armamentista caso não seja firmado um instrumento que inclua as principais potências nucleares.
Com informações de g1.globo.com