São Paulo – A cotação internacional do petróleo deve permanecer entre US$ 60 e US$ 65 ao longo de 2026, segundo projeções de consultorias e bancos, mesmo após o aumento das tensões entre Estados Unidos, Irã e Venezuela.
Oferta elevada limita reação
Analistas apontam um cenário de produção abundante nos principais exportadores como principal fator de contenção de preços. “Há consenso de que o balanço entre oferta e demanda indica excedente em 2026”, afirma Régis Cardoso, responsável pela cobertura de óleo e gás da XP.
Venezuela sob intervenção norte-americana
No início de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro. A Casa Branca anunciou controle temporário sobre a comercialização do petróleo venezuelano, provocando alta instantânea de 1,6% no Brent, para US$ 61,76. No dia seguinte, porém, a cotação recuou 7%, para US$ 60,70, de acordo com a consultoria Elos Ayta.
Especialistas veem impacto restrito. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), lembra que o óleo venezuelano é pesado e exige refinarias adaptadas, além de investimentos de longo prazo para recuperar níveis históricos de produção.
Ameaça ao Irã e rota de Ormuz
Os protestos iniciados em 28 de dezembro levaram Trump a sugerir possível ataque ao Irã, quinto maior produtor mundial e membro fundador da Opep. O Brent subiu de US$ 63,87 para US$ 66,52, mas devolveu ganhos quando o presidente recuou dois dias depois.
Mesmo com o risco à passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima, o mercado não alterou projeções de longo prazo. “Trata-se de risco já incorporado aos preços”, avalia Cardoso.
Repercussões no Brasil
Preços estáveis beneficiam consumidores, mas pressionam receitas públicas.
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Arrecadação: Royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras recuam quando o barril perde valor, afetando União, estados e municípios.
Inflação: Combustíveis mais baratos ajudam a conter o índice de preços. A Petrobras, no entanto, busca reduzir volatilidade e repassa variações de forma gradual. Em janeiro, a estatal cortou R$ 0,14 no litro da gasolina A, primeira redução desde outubro de 2025.
Para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), ainda não há evidências de que os choques geopolíticos vão alterar a oferta global de forma permanente. “É normal que notícias provoquem oscilações, mas o movimento estrutural é de baixa”, diz o diretor-geral Artur Watt.
O mercado, portanto, segue atento a eventuais escaladas nas tensões, mas mantém a avaliação de que a oferta robusta continuará limitando aumentos expressivos nos preços ao longo de 2026.
Com informações de G1