Há 11 anos, uma única jogada mudou o rumo de duas das franquias mais vitoriosas da NFL. A 27 segundos do fim do Super Bowl XLIX, em 1º de fevereiro de 2015, o Seattle Seahawks precisava de apenas uma jarda para assumir a liderança contra o New England Patriots, de Tom Brady, no State Farm Stadium, em Glendale, Arizona. Em vez de correr com o estrelado running back Marshawn Lynch, o quarterback Russell Wilson tentou um passe curto para Ricardo Lockette. O cornerback Malcolm Butler antecipou a rota e interceptou a bola, selando a vitória por 28 a 24 para New England.
Patriots retomam a dinastia
A interceptação encerrou um jejum de 10 anos sem título para os Patriots e impulsionou a segunda era de dominação da dupla Tom Brady e Bill Belichick. Entre 2015 e 2019, o time disputou mais três Super Bowls, conquistando dois troféus (2017 contra o Atlanta Falcons e 2019 sobre o Los Angeles Rams).
O sucesso, porém, alimentou tensões internas. Brady queria mais investimento em peças ofensivas; Belichick focava em contenção de custos e visão de longo prazo. A relação azedou e, em 2020, o quarterback deixou Foxborough para assinar com o Tampa Bay Buccaneers, franquia pela qual venceu seu sétimo e último Super Bowl em 2021. Sem Brady, os Patriots foram aos playoffs apenas uma vez e terminaram 2023 com campanha de 3–14. Belichick saiu em comum acordo em janeiro de 2024 e, após um ano na televisão, assumiu a Universidade da Carolina do Norte.
Início do declínio em Seattle
Do lado dos Seahawks, o lance marcou o fim simbólico da “Legion of Boom”, defesa que sustentou o título de 2014. Marshawn Lynch disputou só mais uma temporada em Seattle antes de se aposentar (e mais tarde retornar ao então Oakland Raiders). Na avaliação do próprio running back, a equipe tinha potencial para formar uma dinastia caso vencesse aquele jogo.
Com a escolha de passar em vez de correr, a diretoria deixou claro que o futuro seria guiado por Russell Wilson. A equipe voltou aos playoffs algumas vezes, mas não avançou além da rodada divisional. As relações internas se desgastaram, e Wilson foi trocado ao Denver Broncos em 2022. Depois de passagens decepcionantes por Broncos, Pittsburgh Steelers e New York Giants, o quarterback chega à agência livre nesta intertemporada.
O técnico Pete Carroll permaneceu até o fim da temporada 2023/24, mas não voltou ao Super Bowl. Sob Geno Smith, os Seahawks terminaram as duas últimas campanhas com 9–8 e, após a saída de Carroll, iniciam 2024 em fase de reconstrução.
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“A jogada mais burra” e o peso do arrependimento
Em entrevista ao podcast “Club Shay Shay”, em 2023, Lynch admitiu ter ficado perplexo ao ouvir a chamada de passe no huddle. Segundo ele, todos os jogadores, exceto Wilson, questionaram a decisão. “Você tirou um sonho, tirou um momento, possivelmente tirou uma dinastia”, desabafou o ex-running back.
Malcolm Butler, o herói improvável da partida, descreveu à CNN Sports a sensação de “aproveitar a pequena oportunidade” quando reconheceu a rota de Lockette. A jogada o tornou um ícone instantâneo em New England e mudou os rumos das duas franquias.
Agora, às vésperas do Super Bowl LX, Seahawks e Patriots voltam a se encontrar, ainda carregando as consequências de uma decisão que entrou para a história como “a jogada mais burra” do futebol americano.
Com informações de CNN Brasil