O que poderia ter sido interpretado como um desentendimento entre gerações da música brasileira ganhou uma explicação emocionante. Durante o Especial Roberto Carlos – Noite Feliz, exibido pela TV Globo no dia 23 de dezembro, uma cena chamou a atenção do público: após os duetos planejados, João Gomes improvisou um trecho de “A Volta”, clássico composto por Roberto Carlos em parceria com Erasmo Carlos. O Rei, no entanto, permaneceu em silêncio e imóvel o que levou muitos internautas a especular sobre um possível “climão”.
Diante da repercussão, João Gomes se pronunciou no último sábado (27) por meio das redes sociais para esclarecer o momento. Em comentário em uma publicação no Instagram, o cantor afirmou que não houve qualquer desconforto e atribuiu a postura de Roberto Carlos à emoção provocada pela lembrança do eterno parceiro musical.
“O Roberto estava cheio de água nos olhos. Acho que toda canção que lembra do Erasmo ele se emociona”, escreveu o artista.
A explicação ganha ainda mais sentido no contexto do próprio especial. Durante a apresentação, Roberto Carlos fez uma homenagem emocionante a Erasmo Carlos, falecido em 2022, ao alterar a letra de “Amigo” em sua versão original um gesto que comoveu plateia e telespectadores.
Após perceber a reação contida do veterano, João Gomes interrompeu a improvisação com delicadeza e se despediu com a frase: “Não vou lhe atrapalhar, não”. A atitude foi elogiada por parte do público, que viu nela um sinal de respeito à sensibilidade do momento.
As redes sociais, no entanto, dividiram opiniões. Enquanto alguns interpretaram o silêncio de Roberto Carlos como sinal de incômodo — especialmente ao vê-lo passar a mão na sobrancelha —, outros defenderam a leitura emocional oferecida por João Gomes.
Até o momento, Roberto Carlos não se manifestou publicamente sobre o episódio. Gravado em Gramado (RS), o Especial de Fim de Ano ainda contou com participações de Supla, Fafá de Belém, Jorge Ben Jor e Sophie Charlotte, e foi reexibido no domingo (28).
Mais do que um simples encontro musical, o episódio reforça o peso simbólico de Erasmo Carlos na história da MPB — e a forma como sua ausência ainda ecoa nos gestos dos que com ele fizeram música. Também evidencia o respeito da nova geração por seus ídolos, mesmo em meio à espontaneidade da performance ao vivo.
Afinal, na música brasileira, algumas notas não precisam ser cantadas para serem sentidas.