Roma – O Tribunal de Apelações de Roma iniciou nesta terça-feira (10) uma nova audiência no processo que analisará o pedido de extradição da ex-deputada brasileira Carla Zambelli (PL-SP). Presa na penitenciária feminina de Rebibbia desde julho do ano passado, a ex-parlamentar participou da sessão por videoconferência.
O julgamento estava suspenso porque a defesa pediu a substituição dos magistrados responsáveis, o que provocou o quarto adiamento desde novembro. Na sessão desta terça, os juízes devem decidir se aceitam ou rejeitam a contestação apresentada pelos advogados. Até a última atualização, o tribunal ainda não havia divulgado se houve depoimento de Zambelli nem o resultado da deliberação.
Condenação no Brasil e fuga para a Itália
Em maio, um dia após a condenação definitiva a 10 anos de prisão por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli deixou o Brasil. Ela passou pelos Estados Unidos e, em seguida, fixou-se na Itália, onde possui cidadania. A ex-deputada anunciou em 3 de junho que viajara para tratar de questões médicas, mas, atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua prisão preventiva.
Em 29 de julho, a polícia italiana cumpriu o mandado de captura internacional e levou Zambelli para Rebibbia. A Corte rejeitou pedidos de liberdade provisória ou prisão domiciliar, alegando risco de fuga, e ressaltou que ela entrou em território italiano em 5 de junho, um dia após a sentença do STF.
Debate sobre condições carcerárias
Durante a primeira audiência, em 4 de dezembro, a defesa questionou as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a “Colmeia”, onde Zambelli deverá cumprir a pena caso seja extraditada. A Justiça italiana solicitou informações adicionais, e Moraes enviou relatório de 11 páginas com fotos e dados sobre salubridade, segurança, cursos oferecidos às detentas e histórico sem rebeliões.
Peritos italianos avaliaram também alegações de problemas de saúde apresentadas pelos advogados e concluíram que os tratamentos necessários podem ser realizados em ambiente prisional e que o traslado aéreo ao Brasil não traria riscos graves, desde que observadas orientações médicas.
Imagem: NINO CIRENZA
Argumento de perseguição política
Os defensores sustentam que Zambelli é vítima de perseguição política e judicial no Brasil. Para reforçar a tese, anexaram parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara que se manifestou contra a cassação do mandato da parlamentar. Posteriormente, em 11 de dezembro de 2025, o plenário da Câmara decidiu manter o mandato, mas a Primeira Turma do STF derrubou a decisão, considerando-a inconstitucional. Três dias depois, Zambelli apresentou carta de renúncia.
Próximos passos
Se o Tribunal de Apelações negar a extradição, a ex-deputada poderá ser solta. Caso a conceda, ela permanecerá ou não em Rebibbia até o fim do processo, mas estará impedida de deixar a Itália. A decisão ainda pode ser contestada na Corte de Cassação. Depois disso, caberá ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, a palavra final – embora ele seja obrigado a rejeitar a extradição se ambas as cortes se posicionarem contra o pedido brasileiro.
Com informações de G1