As polícias estaduais registraram 6.464 mortes em todo o país em 2025, alta de 4,5% em relação ao ano anterior. Os dados, enviados pelas Secretarias de Segurança Pública ao Ministério da Justiça e atualizados na terça-feira (3), indicam aumento em 17 unidades da Federação, queda em nove e estabilidade no Distrito Federal.
Rondônia lidera crescimento proporcional
Rondônia apresentou a variação mais expressiva: 47 mortes em 2025 contra oito em 2024, avanço de 488%. Segundo o Ministério Público estadual, o salto está ligado a confrontos entre facções e reforço do patrulhamento em Porto Velho, onde janeiro concentrou 12 óbitos após uma série de ataques.
Bahia tem maior número absoluto
Em números totais, a Bahia permanece no topo do ranking com 1.569 ocorrências. Na sequência aparecem São Paulo, com 835, e Rio de Janeiro, com 798. No Rio, a megaoperação realizada em 29 de outubro nos Complexos da Penha e do Alemão – que terminou com 117 suspeitos e quatro policiais mortos – contribuiu para a alta de 13% no indicador fluminense.
Taxas por 100 mil habitantes
Considerando a população, o Amapá lidera as taxas de letalidade policial: 17,11 mortes por 100 mil habitantes. Bahia (10,55) e Pará (7,28) vêm em seguida.
Contraste com homicídios gerais
O crescimento da letalidade policial ocorre na contramão das mortes violentas no país, que caíram pelo quinto ano consecutivo, de acordo com a mesma base de dados. Em dez anos, as mortes causadas por agentes subiram 170%.
Imagem: policiais cresc
Mortes, suicídios e exposição de agentes
Enquanto a letalidade policial subiu, as mortes de servidores da segurança diminuíram 8% em 2025, somando 185 casos. O Rio de Janeiro respondeu por 77 dessas ocorrências, 35% a mais que em 2024. O número de suicídios entre policiais caiu de 151 para 131 (-13%), mas ainda representa um caso a cada três dias; São Paulo registrou alta de 65% (28 episódios) e o Rio, queda de 60% (sete registros).
Especialistas apontam permanência de políticas letais
Para o tenente-coronel da reserva da PM paulista Adilson Paes de Souza, os números reforçam a “continuidade de uma política focada na eliminação de pessoas classificadas como criminosas”. Já Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, afirma que os estados ainda destinam poucos recursos a alternativas não letais, mantendo “patamares muito altos de uso da força”.
Com informações de G1