O Kremlin informou nesta sexta-feira (6) que Moscou e Washington concordam em “agir de forma responsável” depois da expiração do tratado nuclear New START, último acordo que limitava os arsenais estratégicos das duas maiores potências atômicas do mundo.
Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, ambos os países “reconhecem a necessidade de iniciar em breve negociações sobre armas nucleares”. As declarações referem-se a reuniões realizadas em Abu Dhabi, onde representantes dos dois governos discutiram, sem sucesso, a prorrogação do pacto antes de seu término nesta semana.
Reportagem do site norte-americano Axios revelou na quinta-feira (5) que Rússia e Estados Unidos estariam perto de um entendimento para estender, por seis meses, as regras do New START. Uma autoridade da Casa Branca disse à TV Globo que “haverá notícias” sobre o tema e que um eventual novo acordo deverá incluir a China, sem detalhar prazos ou parâmetros.
Na véspera, o governo russo lamentou o término do tratado e declarou estar preparado para “um novo mundo” sem limites formais a armas nucleares. O vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, usou a expressão “o inverno está chegando” para provocar Washington, enquanto o chanceler Sergey Lavrov afirmou que Moscou está pronta para “qualquer cenário”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o New START em sua rede Truth Social na quinta-feira. Ele defendeu a criação de um “tratado aprimorado e modernizado” e disse que o acordo assinado em 2010 foi mal negociado e vinha sendo amplamente violado. “Devemos colocar especialistas nucleares para trabalhar em um novo tratado”, escreveu.
Imagem: Alex Brand
Firmado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o pacto determinava:
- Máximo de 700 sistemas de lançamento posicionados (mísseis balísticos intercontinentais em terra, mísseis lançados por submarinos e bombardeiros pesados capazes de transportar armas nucleares);
- Limite de 1.550 ogivas estratégicas prontas para uso;
- Até 800 equipamentos no total capazes de lançar ogivas (incluindo os 700 já posicionados);
- Até 18 inspeções anuais em instalações nucleares de cada país — visitas suspensas em março de 2020.
Com o vencimento do New START, não há mais instrumentos legais que restrinjam os arsenais estratégicos de Rússia e Estados Unidos, o que aumenta a pressão por um novo acordo que reduza o risco de proliferação.
Com informações de g1